domingo, 16 de dezembro de 2007

Frio... muito frio e

mais frio...


Passei quase ao final da manhã por Cabedelo, estava frio! - Tudo era branco e a areia à vista, nos caminhos, exibia a forma dos rodados com consistência rochosa que outro rodado não apagaria!... Estava frio! - Da entrada das colmeias, escorriam estalactites de gelo, tão compridas que tocavam o chão... formadas pela água que do interior da colmeia foi escorrendo durante a noite, ou do vapor de água do interior ventilado... Algumas, poucas, mortas na tábua de voo, e também solidificadas naquela massa de gelo... Uma ou outra removia os cadáveres...
Eram 11H30 e ainda não se trabalhava!...
Porque esperaríamos nesta altura do ano?!... Diriamos, obviamente, por frio... mas, esquecemos como foi o ano anterior e a ansiedade por bom tempo... tornam estas noites ainda mais frias...
Esta última semana, pausa de chuva, foi de noites frias e dias solarengos, com um período de franco trabalho da 12H30 às 15H30... três horitas de trabalho que em termos de coleta representam pouca coisa... digamos que nas mais populosas sente-se uma evolução na quantidade de abelhas disponíveis na colmeia e na arrecadação de néctares... mas nas mais fracas é insignificante...
Comparativamente com o último ano, por esta altura creio que não tivemos destes dias frios mas tivemos muita chuva e vento que as deixou encerradas não tornando o mês de Dezembro muito produtivo... à semelhança do que vai correndo...
Preocupa-me contudo, para além da redução na colheita, a redução da postura das mestras que deverá estar a acompanhar a redução de temperatura verificada a partir da última semana de Novembro... o que trará maiores consequências...
É a contingência de quem tem a primavera no Inverno!...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Higiene da Colmeia...

Interior e Exterior

Ontem de manhã, ainda no apiário, depois de limpar as abelhas mortas nas tábuas de voo, fiquei a observar o acordar do apiário que ocorreu 15 minutos depois da minha chegada... pelas 11H00!
É um espectáculo... meia centena de colmeias inundam por completo os céus e enchem o ar de um ruído assustador...
Mas hoje contemplei um outro espectáculo!
Ao acordar, o aumento do movimento das abelhas foi automático... elas não tiveram ainda tempo de visitar as flores e já entravam em turbilhão!...
É que as primeiras tarefas são as higiénicas... pelos céus cruzavam-se milhares de abelhas em voos rápidos que defecavam sincronizadamente a parecer rajadas de chuva... umas outras paravam nos arbustos como que bebericando água ou descansando...
São as consequências dos néctares energéticos e das águas condensadas que importa limpar, consumidos durante a noite.
E progressivamente os voos frenéticos higiénicos, foram dando lugar aos voos cansados de quem chega da colheita... e quase sem "chuva"... até perto das 16H00, num trabalho incansável que perfumou o apiário de um delicioso cheiro a mel...

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Insólita mortandade

na noite fria...

Esta semana a tempo virou a sol: noites frias (2 a 3ºC), manhãs luminosas cobertas de geada e tardes solarengas... está bom para os resfriados.
Hoje, de férias, quando me dirigia para casa do pai para dar uma mãozinha nas arrumações apícolas, resolvi passar pelo Cabedelo... passavam 45 minutos das 10h00, ainda um manto branco de geada alcatifava o solo e praticamente todas as colmeias se escondiam na sombra fria dos pinhais que as envolvem...
Dirigi-me na verificação das entradas como me é habitual: quem e como morrem, que níveis de condensação quem acorda primeiro... são as verificações habituais que hoje foram interrompidas por insólita manifestação que me precipitou para esta aquela aqueloutra, cerca de 5 em 50 colmeias apresentavam uma mortandade anormal de abelhas... ainda espalhadas na tábua de voo, atingindo em duas delas níveis preocupantes... numa dessas contei mais de 300 abelhas que ocupavam por inteiro a tábua de voo e por tal forma que impediam a saída das que começavam a acordar... as mortes foram registadas nas melhores colmeias...
Lembrei que o ano passado tive uma colmeia com as mesmas mortes: durante vários dias, manifestaram-se mortes de dezenas de abelhas durante a noite... passei o dia a fazer suposições... pensei em mandar analisar as abelhas e informei-me dos procedimentos... abri as colmeias só ao nível da última alça para avaliar a população e confirmei que terão espaço a mais como tantas outras... e decidi-me por esperar pelo dia de amanhã...
Ao final da tarde quando peguei o saco plástico onde guardara as abelhas colhidas na frente de uma das colmeias, vi que algumas ainda se mexiam... calculei que fosse o quente do carro que as mantivera vivas... apressei-me a colocá-las numa estufa a 38º por breves segundos e logo ressuscitaram dezenas de abelhas entre as centenas mortas... inclino-me por isso para o frio.
Mas porquê aquelas e não outras... todas?!... E porquê tanta quantidade... e porquê nas mais fortes?!... Terá ocorrido alguma visita durante a noite: um cão, um rato ou investidas de formigas que as tenha feito saír do seu bolo quente e... apanhadas no frio ou na húmida prancha as tenha irremediavelmente imobilizado... ou estarão aquelas com problemas de resistência ao frio consequência de uma qualquer doença que desconheço?!...
Terei que acompanhar nos próximos dias...

Dezembro de pouco colheita...

e pouca escrita...

Nas duas últimas três semanas, (última de Novembro e duas primeiras de Dezembro), o tempo arrefeceu significativamente, com aguaceiros, nevoeiro, pouca luminosidade e frio... a redução do trabalho, com alguns dias de completa clausura fez-se sentir na colheita... também a minha escrita seguiu no mesmo acorde... perdendo a oportunidade de registar em tempo pormenores da epopeia que as minhas abelhinhas travam contram a meteorologia...
As minhas visitas esporádicas destes últimos dias serviram contudo para confirmar que genericamente a última alça colocada, na última semana de Novembro... fora desnecessária, especialmente em Cabedelo, constituindo, a julgar pelo que tenho visto, motivo de arrefecimento geral... são os riscos de decisão de quem tem que conviver com a explosão de nectares no Inverno!
Quantificar as suas consequências no consumo de mel, na diminuição ou interrupção da postura da mestra, com consequente diminuição da população, é de todo impossível... contudo mantenho-me optimista e atento para acompanhar o desenvolvimento dos próximos dias que a julgar pelo início da semana, poderão repor os níveis de colheita já que o cheiro intenso a néctar nos apiários voltou desde ontem...
C0mparativamente, entre apiários, a Mata continua em vantagem, com níveis de colheita superiores, embora algumas colmeias de Cabedelo tenham atingido excelente nível de população... manifestam na colheita o atraso que ocorreu no arranque...
A média de alças por colmeia, é inversamente proporcional ao tamanho do apiário: 4 para Enxemil, 3 para a Mata e 2 para Cabedelo...

sábado, 1 de dezembro de 2007

Nasceu Um Apicultor

pra comemorar a independência...

Hoje com o amigo Felicidade romamos ao sul, dia que lhe ficará na história da iniciação apícola... Foi também, sem por isso darmos conta, uma romagem com simbolismo histórico para um dia de feriado em que se comemora a independência desta Nação esquecida e deprimida na ponta da europa... fomos à terra do Mestre D. João, também ele libertador, responsável pela morte do conde Andeiro... E foi da Nação que falamos, muito mais que de apicultura, para mantermos fresco o ânimo na viagem.

O dia foi curto para uma viagem longa e um montão de coisas que gostariamos de ter feito. O objectivo era visitar um apiário e talvez comprar uma ou duas colmeias... mas a ansiedade encarregou-se de alterar a ordem dos factores que passou a ser: comprar uma ou duas colmeias e visitar um apiário...

O local, junto à barragem do Maranhão, é simplesmente deslumbrante... junto à estrada no cimo da colina perfilavam-se num só alinhamento umas dezenas de enxames em cortiços e numa diversidade de modelos de colmeias móveis, todas elas velhas, velhíssimas como a bagaceira, a desfazerem-se... aqui e ali barradas com barro a tapar as frinchas... há quem use fita-cola!!!...

Os confrades, dois cunhados, já com sete décadas completas, bem mais conservados, íam exibindo o seu conhecimento em poucas palavras... cautelosas e seguras palavras... também eles ansiosos por limpar dali alguns daqueles exemplares que lhe devem atormentar a vida calma da região... Explicaram ter mais dois apiários ali próximo, mas já não havia tempo de os visitar pelo adiantado da hora num dia que a prometer chuva, tinha pouca visibilidade... as abelhas estavam já recolhidas e foi assim mesmo, depois de passar os olhos pelo chão a avaliar alguma mortandade excepcional... escolher às cegas, entre as que se aguentariam na viagem sem se desfazerem... o que tornava reduzidas as opções...

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Finalmente a chuva e

uma chuva de abelhas...

Esta semana começou com chuva e muito frio que durou até à madrugada de 4.ª feira que ao raiar do sol já era um dia de céu limpo e de temperatura acima dos 8ºC...
Prevendo-se um bom dia de trabalho para as abelhas, na hora do almoço desloquei-me a Cabedelo para apreciar... Pelas 13h00, era um verdadeiro espectáculo: já existem alguns machos no ar que com o movimento das abelhas provocam um zumbido assustador... e o movimento das colmeias e à sua volta era de quem durante quase três dias esteve privado de saír para trabalhar... era uma chuva de abelhas!...

Algumas colmeias apresentavam uma acumulação permanente de abelhas na fachada principal semelhante á preparação para a enxameação que me deixaram minutos a observar o seu movimento a tentar perceber...
Porquê só algumas das colmeias apresentavam aquela acumulação de abelhas?!... Qual a relação com o número de abelhas da colmeia e ou com o espaço disponível?!.... Estive à beira de as começar a abrir para tirar umas dúvidas mas contive-me...
O movimento de polén e néctares era fantástico... algumas guerrinhas aqui e ali... paraceram-me mais intensas nas colmeias onde se acumulavam abelhas à entrada... e essa acumulação, nas colmeias fortes, não ocorria nas mais fortes!...
Na passada 2.a feira, andou uma estilhaçadora a limpar-me os matos em todo o perímetro do terreno - prevenção contra os riscos de incêndio... No chão onde se espalhavam as estilhas lenhosas humedecidas pela chuva, eram abelhas às centenas a bebericar água... chá de urze ou chá de tôjo, ou outro qualquer que elas pareciam adorar em dia onde a água não faltava por todo o lado...

domingo, 18 de novembro de 2007

As contingências da primavera apícola

em tempo de Inverno...

Ontem tive a visita do amigo Felicidade a quem foi mostrar o desenvolvimento dos ninhos de cera estampada que há 3 semanas tinhamos sobreposto em duas colmeias langstroth para adiantar futuro desdobramento... estavam todos cheios: um colocado directamente sobre o ninho, cheio de criação recente e outro, colocado por cima de uma alça que à data já estava cheia de criação, encontrava-se cheio de mel!... São duas colmeias magníficas da Mata!
Admirava-se o Felicidade das abelhas estarem em tão grande desenvolvimento no Inverno, quando tudo o que lê diz o contrário... lá lhe expliquei a diferença entre as estações do ano e as das abelhas que aqui no litoral não têm correspondência... e se é bom ter este desenvolvimento prematuro, tem as desvantagens de condicionar alguns maneios pelas adversidades do clima.
As colmeias em referência estão em condições de serem reproduzidas ou serem constituídas colmeias criadoras de mestras... mas em pleno Inverno, aumentam os riscos das operações pela incerteza e adversidade do clima... mesmo nestes dias de sol corre permanentemente uma brisa fria e o período em que desejavelmente podemos abrir uma colmeia vai das 12h00 às 14h00... Acresce referir no caso concreto que ainda não temos machos no seu pleno estado de maturidade em número suficiente... tomando a regra de que só haverão machos nestas condições cerca de 45 dias depois do início da melada...
São contingências do clima que nos deixam mais livres para ver as colmeias crescer sem lhes mexer, indo acrescentando umas alcitas...

O tempo é de sol

e noites frias...


Há já dois meses que não chove, os dias são de sol e as noites frias. É provavelmente dos Outonos mais sêcos que se têm registado.
Estas condições favorecem uma abertura lenta das flores de eucalipto embora não priveligie grandes colheitas porque a humidade relativa é baixa afectando a quantidade de néctares libertados. Contudo o crescimento do movimento das colmeias é progressivo e a colheita nas mais populosas é muito satisfatória!... Talvez menor nesta última semana pelo frio sentido ao início da manhã e fim da tarde encurtando a jornada que se tem distribuído entre as 11h00 e as 16h00...
Em boa verdade as colmeias que ficaram com alças durante a paragem do Verão já as encheram por completo... Assim o confirmei há 15 dias atrás, tendo distribuído alças que já estão cheias...
Com esta primavera precoce a que elas já nos habituaram já tenho aplicadas metade das alças que possuo, andando a média nos três apiários em duas alças por colmeia...
Como aumentei o meu efectivo este último ano em 60%, em armazém já só tenho disponível uma alça por colmeia!... O que me vai valendo são estas temperaturas baixas durante a noite que não permite o desenvolvimento tão rápido das colmeias como aconteceu o ano passado. E o ano, continuo convicto de que será fraco.

Mudanças concluídas...

Em Enxemil.

Durante a segunda semana de Novembro, mudei as últimas colmeias de Enxemil para Cabedelo... Não resisti e lá deixei ficar três colmeias em Enxemil para matar saúdades... para termo de comparação com os outros apiários enquanto não arranjo um apiário mesmo ali ao ladinho daquele local que considero magnífico para as abelhas.
A registar que nesta última mudança confirmei o que já desconfiava: algumas abelhas regressam a Enxemil no dia seguinte, pese os cerca de 2700 metros, (em linha recta) que separam os dois apiários.
A verificação foi facilitada por praticamente já não ter ali colmeias e ter junto duma das colmeias mudadas que se encontrava isolada, um núcleo vazio da mesma cor para capturar enxames... no dia seguinte ao da mudança, pela hora de almoço lá estavam na tábua de voo, dentro no núcleo ou esvoaçando, dezenas de abelhas perdidas, algumas delas com polen nas patas, outras nervosas como que defendendo a colmeia de invasoras... bonito!
Resta-me saber até que ponto se sobrepõe a área de influência dos apiários no que se rtefere à colheita!... ... ...

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Acelerar a Mudança do Paraíso...

de Enxemil...

Esta semana, para tristeza minha... tenho-me concentrado na mudança das colmeias que me restam em Enxemil...
Ao final da tarde eu e o pai lá vamos transpirar um pouco fazendo uma carga de cada vez para não nos cansarmos muito e saborearmos o mais possível o lúdico da coisa...
As colmeias de Enxemil, ficaram com uma ou duas alças no final do verão dado que estavam muito populosas, tendo-se desenvolvido precocemente encontram-se agora a transbordar de abelhas e mel, sendo urgente dar-lhes espaço...
Mas se o faço, se lhes coloco mais alças... já não as consigo retirar com tanto peso...
Chegar a Enxemil ao anoitecer e sentir à distância o cheiro enjoativo do mel que se sobrepõe aos cheiros dos campos próximos... enclausurar as abelhas, arrastando as que à entrada fazem guarda ou ventilam, depois agarrarmo-nos às bases num esforço de valentes, sentindo as arestas da madeira cortar-nos as mãos, é como diz o pai, sentirmo-nos rejuvenescer...
Vou sentir saudades deste recanto do paraíso!... Até porque cada vez mais me convenço que Cabedelo não é o Céu!...

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

As razões que desconhecemos

pelo nosso isolamento...

Hoje fiz alguns contactos rápidos à procura de colmeias para comprar para o amigo Felicidade e dos dois primeiros saltaram-me os comentários tristes e desanimados:
1- o Glória desabafou ter o seu colmeal com muitas colmeias mortas... nas palavras dele, morreu quase tudo, das quase 100... embora não acredite, é um desabafo preocupante...
2- e o Correia, (um brincalhão que praticamente só reproduz colmeias para venda... como eu o invejo!) meio a rir diz terem-lhe morrido todas... das 15! Tem agora um só pequeno enxame que lhe foi lá parar em Outubro!!! Por sinal o Correia tinha as suas mesmo próximo das do Sousa... onde têm morrido muitas...
Eu não conheço os maneios de um e de outro mas é preocupante... Desânimo, falta de atenção, desleixo, doença brava... terá muito de tudo isto... mas algo se está aqui a passar e tão perto sem que eu me aperceba!!!... é nestas alturas que percebemos que o isolamento também é nosso.

A carga de alças

foi iniciada... no passado Sábado

Depois de passar revisão a parte das alças em armazém, de ter regeitado as cêras mais velhas e alças mais podres... alças com mais de 30 anos!... carreguei o carro de alças com quadros onde já andara criação para serem as primeiras a ser colocadas, como num desafio maior á mestra para começar a pôr também na alça... vamos ver!
Coloquei também a quase totalidade dos ninhos que tinha em armazém com algumas ceras puxadas para os sobrepor nas mais fortes e brevemente estar a reproduzir mais colmeias mas sobretudo para aí depositar quadros velhos ou com mel na substituição de alguns quadros dos ninhos que precisam de espaço...
A primeira paragem ao início da tarde, foi em Cabedelo e aí deixei a carga, depois de uma tarde de trabalho intenso que me soube pela vida ao ver o resultado do trabalho delas... também não menos duro...
Ficou-me a pena de nada ter colocado em Enxemil, donde quero tirar mais umas colmeias e tenho que o fazer esta semana sob pena de começar a ter problemas...
Na Mata onde em média deixei no verão quase 2 alças por colmeia, contentei-me só com a avaliação do seu bom desempenho neste início de época...

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Início da Época

em visita de balanço...
Aproveitando o feriado e com uma tarde magnífica de sol, no seguimento do que se vem verificando, foi dar uma olhadela para avaliar a evolução interior...
A avaliação exterior dizia-me que tinha que me prevenir de material para lhes dar espaço para armazenamento de nectares e disponibilizar espaço para a postura... mas foi praticamente sem material...
E verifiquei o obvio: rápida explosão, níveis de postura nas mais desenvolvidas a passar os 6 quadros e grande colheita de nectares... tenho rapidamente que distribuir alças pelas colmeias... e proceder á substituição de quadros de mel por novos quadros ou vazios, nos ninhos...
Uma curiosidade a registar, foi o facto de todas as 4 colmeias do Cabedelo onde tinha ninhos sobrepostos, no armazenamento de quadros... estarem com esses ninhos com postura recente, ovos, e grande quantidade de nectares... quando há 15 dias atrás aqueles se encontravam praticamente desertos e vazios e as colmeias aparentavam um desenvolvimento mediano!!!...
Na Mata, nas duas colmeias Langstroth mais desenvolvidas, sobrepus dois ninhos para produzir em breve dois enxames para o amigo Felicidade. Estavam muito boas... A primeira, tinha o ninho e uma alça completamente cheias de criação e a precisar de espaço... a outra tinha já uma meia alça praticamente cheia de mel... estou claramente atrasado na Mata, onde até as colmeias com duas alças já mostram ter falta de espaço... lá terei eu que começar com o transporte das alças...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Mudança de Hora

mudança de rotinas...
Com a mudança da hora já não faço a minha pausa higiénica ao final da tarde, visitando as minhas abelhas... os dias ficam mais pequenos e tristes...
Eu próprio acusei hoje uma grande ansiedade durante o dia consequência destas mudanças...
Agora, vou vê-las á hora do almoço, que para mim é a hora da sande ou do croissant e ali fico dum lado para o outro à procura de anormalidades no comportamento...
Assim foi hoje... estava um frio desconfortavel, tocado por uma brisa de nordeste que não me deixou desabotuar o casaco mas que, não as impedia de rasgar o espaço, aromatizado com nectares de eucalipto, atarefadas e mais ásperas que o costume, mas mantendo o volume de abelhas ou talvez aumentando relativamente aos últimos dias que à mesma hora sempre foram mais solarengos e quentes.
O céu ora se enchia de nuvens escurecendo, obrigando-me a mexer, ou se abria iluminando as matas envolventes ao Cabedelo... deixando-me a repousar na contemplação...
O tempo e a paisagem são tipicamente outonais, mas para as abelhas no seu labor já é primavera!...
O frio da noite já permitiu que os ratitos mais atrevidos entrassem nas duas colmeias mais fracas e fizessem as avarias do costume, obrigando-me a colocar as habituais grelhas...
Quanto ao desenvolvimento do ano e das abelhas, não deixo de fazer comparações com o ano passado... por esta altura já me preparava para colocar alças na posição 2, o ano corria mais húmido e quente, estando o eucalipto já desmontado em flor... e assim foi até final de Novembro...
As previsões para esta semana são de céu limpo com uma amplitude térmica dos 9 aos 21º e uma humidade relativa na ordem dos 50%... vai ser uma semana de trabalho!...

domingo, 28 de outubro de 2007

A Evolução do Eucalipto

aqui e ali vai desabrochando...


As minhas visitas deste fim de semana resumiram-se praticamente a uma apreciação ao movimento exterior dos colmeais... o movimento continua crescente e é notório o cheirinho a eucalipto nos três colmeais.
Na Mata são já vários os eucaliptos com as primeiras flores e o movimento das abelhas é muito significativo na colecta de polen e néctares. São as colmeias mais povoadas; estando todas elas a trabalhar a bom ritmo nas alças que não consegui retirar na época quente após a cresta. Puxam cera nova e depositam néctares, ocupando todo o volume das alças...
No próximo fim de semana terei que distribuir alças!
Em Enxemil o panorama é muito semelhante, embora não sejam tantos os eucaliptos que nas proximidades apresentem floração... Tenho aí, para variar, as melhores colmeias...
No Cabedelo o movimento é muito bom, embora não se avistem eucaliptos nas proximidades com flor... aqui a maioria das colmeias não tem alça e as colmeias estão menos povoadas, como tenho escrito... Mas o tempo tem sido de feição e o atraso na floração de eucalipto e lento desabrochar poderá proporcionar-lhe a recuperação que necessitam.
Não sabemos as previsões climatéricas que nos esperam para os próximos meses mas é muito provável que a floração do eucalipto continue a ter um desenvolvimento lento e não se prolongue para além de Março sendo de um modo geral uma floração reduzida quando comparada com os anos anteriores, a julgar pela quantidade de botões disponíveis nas árvores...
Já profetizei à meses atrás as previsões para este ano, no que toca à colheita de mel e tudo parece, como previsto, encaminhar-se para um mau ano.
Acresce ainda referir que nos rebentamentos outonais dos ramos novos que agora se podem verificar, não consigo detectar a formação de botões que poderiam nascer em Maio e Junho; reforçando assim as previsões mais pessimistas...
Quando eu era rapaz novo havia uma regra que dizia suceder um ano mau a um ano bom de mel ... que era o mesmo que dizer que a seguir a um bom ano de floração de eucalipto, sucede um ano mau de floração de eucalipto...
Estes três últimos anos não tenho essa experiência, embora na região muitos digam que o que passou foi um ano mau!... porque o eucalipto só floriu e explosivamente, até finais de Janeiro...
Como será este, será que confirmará a regra?!... A ver vamos...
Sabendo já que aqui, a evolução da floração do eucalipto, define a evolução do ano apícola!...

domingo, 21 de outubro de 2007

Uns Eucaliptos em flor

fazem a diferença...

Hoje cedinho foi matar saúdades à Mata e encantar-me com o movimento das abelhas. São dos três apiários as que melhor trabalham. Muito movimento de nectar e polén como tive ocasião de constatar ao iníco da tarde em aberturas rápidas...
- A dar um grande contributo estão uns eucaliptos ali bem perto em início de floração!
As colmeias da Mata chegaram a este início de época muito boas e presentemente os eucaliptos estão a dar uma ajuda fundamental.
Ainda na Mata, iniciei processo de geminação de mais duas colmeias... tinham ambas 5 bons quadros de criação e uma alça cada uma, com algumas reservas de mel e nectares novos... estavam mesmo a pedir...
Os dias têm sido quentes e sêcos, com noites frias... contudo a julgar pelo eucalipto disponível e a população da maioria das colmeias, tenho que disponibilizar-lhes mais espaço, pela distribuição de algumas alças...
Em Cabedelo não se avistam eucaliptos em flor mas o trabalho é relevante... as populações é que chegaram a esta época reduzidas e... talvez revelem, comparativamente, um mês de atraso o que pode não ser grave... resta esperar pelo seu desenvolvimento que para já, parece-me ser bom!

sábado, 13 de outubro de 2007

Meio do mês de Outubro

e já mexem...

Esta semana foi a segunda do mês e a mais sêca; muito quente durante o dia e fresca durante a noite. O movimento a seguir às chuvas do final de Setembro abrandou... hoje esteve um dia quente e o movimento foi muito discreto...
Reservei a tarde para dar a volta a Cabedelo na companhia do amigo Felicidade, sacudir as colmeias macheadas, tirar algumas alças que estavam a limpar e... apreciar a evolução...
Já se nota uma evolução que vai ser lenta em algumas delas... nas mais fracas porque ficaram muito desguarnecidas de abelhas... distribui alguns quadros de reservas nas mais desguarnecidas e também reorganizei quadros nas mais abastecidas, permitindo espaço livre para a postura...
Um registo que me preocupou: aqui e ali uma varrôa agarrada às obreiras!... Um mês depois do último tratamento! Vou ter com urgência de repetir os tratamentos...

terça-feira, 9 de outubro de 2007

As Estações do Ano

não são as estações do ano apícola...
Há dias instituí aqui o início da campanha 2007/2008 em 1 de Outubro... A experiência destes três últimos anos tem-me dito isso mesmo!
E o início da Campanha aqui na região, é... isso mesmo, o início da Primavera das abelhas!
Pode ser paradoxal mas não posso pensar de outro modo, passando a estabelecer:
A Primavera
é marcada pela floração de eucalipto que deve estar aí daqui a um mês, e em força de Dezembro a Março, reforçada nos meses de Fevereiro e Março, por outras...
6 meses de Primavera.
O Verão
é marcado pelas florações tipicamente primaveris e pelo início da queiró
decorrendo de Abril a Junho,
3 meses de Verão.
O Outono
é marcado pela escassez de floração, alguma queiró, os prados, outras urzes, e outras...
decorrendo de Julho a Setembro
3 meses de Outono!
... ... ...
E em regra não temos Inverno... o que é magnífico!...
Assim, as tarefas associadas às estações do ano, referência dos maneios para o apicultor, divulgadas em tudo o que é manual, terão que ser reportadas às estações do ano apícola definido. E está claro... aqui a estação de todos os cuidados é o Outono, de Julho a Setembro onde tudo pode acontecer!...

domingo, 7 de outubro de 2007

Como do dia para a noite

tudo se modifica...

Hoje pela manhã e depois ao final da tarde passei pelos apiários... já estão a bulir até ao anoitecer!...
Um movimento de polén e nectares que cresce de dia para dia e da manhã para a noite, fico sem palavras nestas alturas!...
A avaliação global em movimento é: Enxemil muito bom, Mata bom e Cabedelo sofrivel!... Sendo o movimento sobretudo de polén... embora junto à noite o movimento de néctares aumente...
Registe-se algumas particularidades de hoje: 1- senti um cheirinho acridoce quando já depois do pôr do sol cheguei a Enxemil... O pai no início da semana já me dissera ter descoberto um eucalipto com umas floritas abertas junto a Enxemil, mas o que está a acontecer ainda não tem nada a haver com eucaliptos... 2- na Mata, a colmeia geminada, a quem eu nunca mais liguei, continua a distinguir-se muito favoravelmente... estavam com muito bom movimento...

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

As diferenças entre apiários

são abismais!...

Hoje aproveitei o feriado para dar uma volta às colmeias. Centrei-me no Cabedelo, aquele que me põe a cabeça em água...
As minhas visitas às colmeias em Cabedelo, surpreendem-me sempre com aspectos para os quais não tenho explicação... Hoje foi mais um desses dias em que pude constatar a grande quebra de população e a exígua criação... Não consigo explicar isto!... Terão passado muita fome em Agosto Setembro?!... Mas algumas delas ainda tinham uma alça com algum mel e néctares!... Doença?!...
Se me detenho na hipotese da doença, não vejo que doença... tanto mais que as colmeias de Cabedelo vieram nos meses de Maio Junho e Julho dos outros dois apiários... Envenenamento local... e outras coisas passam-me a correr pelo pensamento...
Detenho-me na fome e não vejo razão evidente quando as comparo com as da Mata da Bicha... Ou então concluo ter a minha observação sido distraída e superficial ao que aconteceu nos meses de Agosto e Setembro, numa análise comparada dos apiários...
Mas se não compara-se diria: fome de pastagem apícola levou à paragem de postura e consequente, à redução da população e em alguns casos à morte de algumas mestras pelas próprias abelhas...
Este aspecto, o elevado número de mortes de mestras nos meses de Julho e Agosto , é na minha recente curta experiência absolutamente anormal e tanto mais anormal quando comparo com os outros dois apiários onde praticamente não registei caso algum!...
Na Mata da Bicha, abri só algumas colmeias que se encontravam bem diferentes, muita população e criação... pude observar melhorias significativas, mesmo das mais fracas, neste último mês, com crescendo de população e criação... e o trabalho ao final da tarde era magnífico...
Em Enxemil o panorâma é semelhante ao da Mata, para melhor...
O polén colectado nos três apiários na maioria é dum amarelo sujo claro ao final da tarde e mais vivo durante a manhã e dia... ainda não foi hoje que investiguei a sua origem...
A minha dúvida de que o Cabedelo não é bom sítio para colmeias, aumenta... e com ela aumenta a minha ansiedade para a esclarecer!... Ou esperar por factos que possam inverter esta tendência quase suicida de Cabedelo...

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Começou a Campanha 2007/2008

com ameaços de chuva...

Tempo nublado, húmido e quente... foi assim o primeiro dia que me levou a Cabedelo.
Ía à espera e encontrei... um bom movimento de pólen ... há sempre algumas que nos impressionam mais e as diferenças já se fazem sentir... Ao meio dia o polén era amarelo vivo, à tarde e quase noite era amarelo sujo e claro. À tarde o movimento de nectares pareceu-me também considerável e era notória alguma agressividade e stress na entrada da colmeia que eu não sei explicar...
A agressividade e stress tenho-a associado à mudança de condições climatéricas, pode ser, é para acompanhar...
Mas o que não dá para perceber é a mania das mordeduras à entrada da colmeia que voltou a notar-se pelo menos em duas ou três colmeias, praticamente sem se perceber... mas existe! Notam-se algumas abelhas lustrosas como se estivessem estado no alguidar do doce... Sinto-me tentado a dar um salto ao apiário mais próximo para avaliar se há ali pilhagens que estejam a provocar esta mania que eu espero não atinja a dimensão última... dos meses de Maio e Junho!... Não é que esteja inclinado para esta opção mas sinto que já esgotei outras...
O eucalipto pelo tamanho do botão só deve começar a florir em finais de Novembro, muito mais tarde que nos últimos três Invernos... Preciso de ir para o campo vêr que pastagens teremos até lá!...

domingo, 30 de setembro de 2007

Último de Setembro

final da época 2006/2007!...

Ontem tirei o último mel da última época e doravante as mexidas a partir de hoje terão mais haver com a nova época 2007/2008.Talvez até se justificasse ter iniciado mais cêdo, mas a colheita do mel e retirada de material, pertence às tarefas do ano passado...
O acompanhamento Outonal e preparação da próxima "Primavera" das abelhas será o objecto dos próximos meses, donde ficar instituido que aqui no litoral norte, a época vai de Outubro a Setembro do ano seguinte...
Registo contudo que a alimentação artificial, preparando o próximo ano, decorreu nas duas últimas semanas de Setembro em Cabedelo, na última na Mata da Bicha e decorrerá a primeira de Outubro em Enxemil.
Hoje ao final da tarde foi a Cabedelo dar a última volta do alimento e estarrecer com o trabalho delas que se prolongou até a noite caír com muito movimento de polén... são já as consequências anunciadas da chegada das chuvas.
Mas registe-se que eu não sei mesmo onde vão elas buscar tanto polén de côr amarelo claro sujo... o que é uma falha minha... ... ... tenho que ir investigar... vêr... observar.

Tempo de chuva

é sinónimo de esperança...

Este fim de semana voltou a chuva, depois de dois meses de ausência, pena ter vindo acompanhada de algum vento e frio, mas só a sua presença pode dar um empurrão à floração outonal e ao amadurecimento da floração de eucalipto, já com botões grandinhos... Durante o mês de Setembro tivemos calor intenso, já no seguimento da secura do mês de Agosto e isso provocou a reduzida floração e exudação, com a consequente diminuição de população nas colmeias... O desejável teria sido que estas chuvas chegassem um mês atrás e com tempo mais quente para prolongar florações e amadurecer outras para que o trabalho outonal começasse mais cêdo!
Não será ilusório... mas o trabalho delas hoje ao início da tarde, ainda reduzido, com vento desconfortável, já mostrava algo mais que há dois dias atrás: polén sobretudo! A ver vamos... mas continuo agarrado à minha profecia de Junho... este ano que agora começa, vai ser mauzinho!...
Ainda antes das chuvas de ontem, corri na sexta ao final da tarde a Enxemil, para tirar algum material: pelas previsões de chuva e pela necessidade de transportar de lá mais algumas colmeias... Acabei por tirar mais nove alças meias cheias tendo ficado cada colmeia com 1 alça sobre o ninho que não consegui tirar ou porque tinham criação ou nectares por opercular em grande quantidade... quanto à população apresentada considero-a muito satisfatória, com algumas excepções para cima e para baixo...
As alças de mel foram centrifugadas Sábado ao final da tarde; foram o entretimento do amigo Felicidade que me visitou no seu programa de treinos nestas lides da apicultura para se estabelecer como novo apicultor... o que também é sinónimo de esperança!

domingo, 23 de setembro de 2007

Sempre a aprender...

ou... a querer perceber!...

Hoje ao final da tarde dei um saltinho rápido a Cabedelo, para descomprimir e poder marcar um ponto de rota do estado das abelhas, depois de uma semana de quase ausência.
O dia foi dum sol magnífico, dum Verão que não se quer ir embora, mas o final de tarde estava fresco. Quando cheguei ao apiário, ainda antes de saír do carro já notava uma polvorosa... comentei comigo: lá estão elas no bailado habitual de final de tarde... Sim... mas também!... À mistura com alguns bailados, era um movimento louco de polén como já não via há meses...
Ainda há uma semana atrás era um desgosto vê-las ao final da tarde, paradas... paradinhas, (só trabalhavam pela manhã fresca...). Como num clique tudo aparentemente se transformou!...
E porquê?!... Para responder com rigor necessitava de ter observado estes últimos dias com mais pormenor, de manhã à tarde e à tardinha, mas isso não é possível...
Não me tendo dado conta da ocorrência de uma qualquer nova floração só consigo justificação na humidade e frescura do fim da tarde outonal... As condições de humidade e temperatura, estão uma vez mais a ditar o desenvolvimento das colmeias... e não parecem grandes as diferenças meteorológicas!...

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Completamente perdido...

por falta de escrita em dia!...


É tal a minha raiva por falta de actualização escrita do livro do apiário que tenho que regista-la aqui quanto antes, para que não mais deixe que este desleixo se propague no tempo...
Depois de umas semanas em que não acompanhei muitas das colmeias, deparei-me ainda hoje com mais uma colmeia macheada e quase sem abelhas!... A juntar às que detectara no Sábado passado é motivo de alguma preocupação!... tanto mais que todas elas apresentam reduzido número de abelhas!...
Uma calamidade dirá o sentimento... Uma consequência natural, dirá a razão, de quem não implementou a devido tempo um programa de renovação de mestras...
Foi uma colmeia mudada de Enxemil para o Cabedelo há dois meses! Provavelmente, provavelmente, provavelmente... posso-me pôr para aqui a adivinhar grandes justificações que de nada valem para a aprendizagem e entendimento da realidade...
Porque não tenho o historial das visitas nos últimos seis meses... e como foi uma colmeia mudada... pior um pouco, a memoria visual não me ajuda... não me lembro de nada ou quase nada... ... ...
As oportunidades que eu tenho perdido em aprendizagem!!!... Por falta de escrita, tá claro!...

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Tratamentos e sustos

ocuparam-me o dia de Sábado...

O fim de semana é cada vez mais curto, à medida que o número de colmeias aumenta!!!
O domingo estava reservado ao transporte do Al Capone para Alter do Chão para contentamento do meu João... Logo, tinha que ser, o Sábado foi um dia em cheio para as colmeias... Foram os tratamentos anti-varrôa até dizer: - Chega, não abro nem mais uma! Foi levantamento de alças limpas, foi desinfecção de alças e seu acondicionamento em armazém... e foi também inspecção da maioria das colmeias...
A reter, os estragos do tempo quente que se tem feito sentir nas últimas cinco semanas: as abelhas pararam, rigorosamente pararam, a mestra diminuíu postura em alguns casos para níveis muito preocupantes e há colmeias sem reservas!... Alguns são quase casos de fome!
Ainda, o registo de algumas mestras esgotadas, com ausência de postura e em situação de colmeia orfã ou pré-orfandade...
Em duas semanas da minha quase ausência de inspecções, confesso que me assustei pelo que vi mas também me assustei comigo próprio... com tanta racionalidade e desprendimento, quase frieza!... Estou a melhorar, a racionalidade vai substituindo a cegueira da paixão!...
Iniciei de imediato a sua alimentação... Ainda no Sábado!...
Fizemos a primeira charopada para as mais débeis, aproveitando as primeiras dezenas de frascos de mel que eu carregara na Sexta em casa dos Nunes... Mel que o falecido Nunes enfrascara com tremenda paixão e que não pudera comercializar nem distribuir pelos amigos nos seus últimos anos de vida. A filha notando alguma oxidação no mel, andava a aquece-los ao sol para os vazar, a lançar o mel no esgoto e a recuperar os frascos, "...são da tofina...", para alimentar o vidrão do centro!...
Até que... e por acaso, veio em geito de conversa... como acontece em regra com as Sras., em geito de conversa também eu lhe disse que ficava com o mel, lhe daria o melhor uso alimentando as minhas colmeias poupando-lhe aquela monstruosa operação, com o compromisso de colocar todos os frascões devidamente lavados no vidrão!

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Setembro Quente

Inimigo da gente...

Estas duas últimas semanas, foram muito quentes: calor de trovoada, calor sem vento a passar os 30 Cº!... Por aqui, tal como eu, também as abelhas não suportam semelhante estileira!... Na Mata as erbáceas empalharam, nas terras baixas e ensolaradas de Enxemil permanece a riqueza multifloral não foi muito abalada: muito funcho em flor, aqui e ali algum cardo e até equium vulgaris, entre outras... Cabedelo é menos rico em campos agricolas e ainda não sei o que por lá há!... Consequentemente o registo é: a Mata está parada, Enxemil mexe e Cabedelo mexe pouco!... Ao nível das reservas o panorama é semelhante, respectivamente sufrivel, bom e suficiente. A postura das mestras não tenho acompanhado mas pela minha visita rápida deste Sábado, deu para entender que estão em fase de paragem. Há duas semanas numa colmeia de Enxemil em que tive que lhe substituir o ninho, fiquei pasmado para esta altura do ano, com 6 quadros cheios de criação... Sábado na Mata, em três casos, confirmei paragens notórias na postura! Adivinha-se muito trabalho pela frente, a somar ao que está por fazer...

domingo, 9 de setembro de 2007

Calluna Vulgaris

A Visão Esperada...

Há anos que venho lendo repetidamente sobre a importância nectalífera da "Calluna Vulgaris" que aqui floresce por todo o mês de Setembro e Outubro, ocupando grandes extensões de matos sobre solos arenosos, colorindo-os espectacularmente...



Mas em boa verdada nestes três últimos anos nunca pude observar uma abelha numa calluna. Primeiro admiti que não seriam anos de colheita e ou ocorreriam outras espécies que com ela concorreriam... sem saber exactamente quais... Cheguei a duvidar do meu diagnóstico da calluna... correspondi-me com especialistas botânicos que me reafirmavam o que lia , argumentando a maior dimensão e acessibilidade do cálice, quando comparado com outras urzes ao que eu contrapunha com a experiência observada...
Fiquei-me esperando pelo dia em que essa ficção se concretizasse!...

Foi ontem... ao final da tarde, já fresco. há uma semana que não as via... e a visita do meu amigo Felicidade foi o argumento para dar uma passagem pelo Cabedelo que foi encontrar todo rosado de calluna vulgaris a serem autenticamente devoradas pelas abelhas... Num movimento muito superior ao das visitas às éricas da região que aqui tenho descrito!
Estou ansioso por acompanhar as consequências desta floração.
... ... ...


Ao final da manhã, dei um salto a Cabedelo para ver se ainda ía a tempo do espectáculo de ontem... mas já era tarde, o tempo já estava quente e abafado, as colmeias encontravam-se todas paradas e a calluna ali, só, a meter inveja! Admito portanto que só em circunstâncias de humidade e temperatura adequadas a calluna disponibilizará nectar; condições que se registarão ao final da tarde e provavelmente ao início da manhã...
Não descanso enquanto não confirmar se foi visão!...





















sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Sem marcações

tive que identificar a mestra...

O apicultor tem sempre estórias para contar...coisas tolas que acontecem, filmes únicos, interpretações muitas vezes erradas, insólitos ou expressões exageradas com que a natureza nos presenteia... coisas para recordar e contar ao desafio entre apicultores!
Aí vai uma ...
Há três semanas em Cabedelo, anda eu sózinho ao início da manhã, de forma bruta a retirar alças que tinham sido colocadas a limpar: como ainda era fresco poucas eram as abelhas que estavam nos quadros e aí vai quase sem fumo, ía levantando as alças às duas e três de cada vez, sem sacudir as poucas abelhas, empilhando-as em vários lotes dispersos pelo apiário.
Isto é o que não se deve fazer mas as pressas são muitas vezes inimigas do bem fazer.
Levantadas as alças, cerca de trinta, transportei-as para junto do carro em três lotes e aí comecei a sacudir os quadros de algumas abelhas, arrumando as alças para uma carga máxima.
Passara algum tempo desde o início dos trabalhos, o calor já se fazia sentir e as abelhas iniciavam a pilhagem de pequenas gotas de nectar... tinha que continuar, sendo rápido... aqui e ali detinha-me mais atentamente sobre um maior montículo... até que quase no fim numa das alças, umas tantas abelhas rodeavam uma mestra!!!...
Isolei de imediato a alça das restantes e suspirei: acabei de tornar uma colmeia orfã!... Critiquei-me na "brutalidade" com que fizera a operação que me deixava agora sem forma de recolocar a mestra na respectiva colmeia, pois não estava marcada!... Caramba!...
Bem, decidi observar as características da mestra, para melhor avaliar o prejuízo!...
Acompanhavam-na naquele quadro uma vintada de abelhas... e algumas eram das amarelas, constate!... Saltei de alegria!... A mestra aparentava ser velha: muito preta, magra e de asas um pouco ruídas...
Em início de Julho, numa visita de rotina, descobrira que tinha no apiário uma colmeia de abelhas híbridas que só se detectavam bem quando pousadas no quadro: a colmeia tinha abelha de duas cores, diferenciando-se algumas pelos seus dois aneis superiores de cor amarelo vivo (creio que parecidas com a abelha italiana...) que eu nunca vi...
Ora eram algumas dessas abelhas que acompanhavam aquela mestra. Rapidamente correlacionei o comportamento exterior das abelhas daquela colmeia nos últimos dias: amontuavam-se à entrada sem grande trabalho em montes à esquerda ou à direita e com movimentos que já tinham merecido a minha atenção e dúvidas...
Corri então para a colmeia das amarelinhas onde confirmei um quadro, com uma dezena de mestreiros abertos, (há 5-7 dias...), foi percorrendo os quadros à procura de mestras recem nascidas... quando encontrei a primeira parei e fechei a colmeia... Não havia dúvida: a alça que continha a mestra estava sobre aquela colmeia, ou a mestra era daquela!
Observava eu, agora, atentamente, a pobre mestra que aparentava estar calma mas em esforço para pôr o seu ovo em movimentos de contracção do abdomem mergulhado no alvéolo... ... ...
Seria mesmo velha a mestra?!... Porque estaria ela naqueles movimentos de quem tenta pôr o ovo?... Porque estaria ela segregada numa alça vazia de mel com tão poucas abelhas?!... Porque teria ela deixado de pôr?!... precisamente no momento em que começaram a fazer os mestreiros?!... Não será a velha!... Estava cheio de dúvidas e sem saber o que fazer...

O Verão a terminar

e ainda há muito que trabalhar...
Não se tem proporcionado escrever mas este mês tem sido de trabalho... Recolhi a quase totalidade das alças colocadas a limpar, algumas vazias e tirei algumas com mel que quase na totalidade já está embalado, distribui quadros de mel pelos ultimos enxames produzidos, inspeccionei, tratei algumas, substituí algum material velho e tenho-me roído por haver colmeias com tantas alças sem que o mel esteja por opercular: ainda estão a colher néctares e vou ter que esperar.
Tenho-me surpreendido com a elevada população apresentada por algumas colmeias nesta época do ano! - Ano e Verão húmido, dão nisto: abelhas sempre a trabalhar...
Os trabalhos que me faltam de de duas ordens: 1) retirar algumas alças, (quero reduzir ao mínimo a quantidade de alças expostas ao tempo e algumas ainda têm mel 2) transportar a totalidade das colmeias de Emxemil dali para fora... ainda lá tenho catorze!

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Regresso de férias

e às lides apícolas...

Só hoje ao final da tarde me disponibilizei a visitar o apiário de Cabedelo após o meu regresso de férias. Ía com aquela vontade de ver tudo, a evolução das mais fracas, o estado das alças que ficaram a limpar e eventualmente começar já a levantá-las para armazém... as mestras novas de final de época que esperavam ser fecundadas, os sintomas de doença...

Chegado a Cabedelo nestes 10 dias de ausência, era ver um tapete vermelho rosa da erica ciliaris que ao contrário do desejável não fornecem nectares nem polens à abelha do mel, pelas enormes pétalas que tornam o cálice inacessível o que me deixa cheio de pena...

aqui e ali ainda interrompido por algumas manchas de erica cinerea, com potêncial nectalífero e ainda a concorrer com algumas flores de erica umbelata que teima em persistir, ao mesmo tempo que a calluna vulgaris já apresenta os seus primeiros botões, anunciando as primeiras flores para o início de Setembro...


Depois de uma passagem rápida em que observei individualmente o movimento de final de tarde, comecei a equipar-me desejoso de matar o vício e a saúdade ao mesmo tempo que me assustava com as lides de Verão que me esperam: levantar as alças, redistribuir reservas, fortalecer colmeias, transportar as restantes colmeias de Enxemil... Ufff!..

Eis quando reparo que me esquecera do fumigador!... nada feito!... Ainda dei umas espreitadelas sem fumo mas não poderia continuar...

Fiquei ali tristonho a apanhar pinhas e a limpar lenhas dispersas entre as colmeias, até anoitecer... qual pastor entre o seu amado gado que não quer deixar até ao adormecer!...










sábado, 28 de julho de 2007

A Colheita e o Balanço

em tempo de férias!

Esperei pelas minhas magras férias para desenvolver todas as acções relativas à colheita do mel. Foi de 15 a 21 de Julho que arregacei as mangas e tirei a esmagadora maioria das alças, foram 94! Juntem-se as 33 que já tirara pela Páscoa, perfazem 127! Atenda-se ao aumento do efectivo das colmeias em 80%, podemos dizer ter sido um ano interessante... Com uma produção média por colmeia de 25Kg de mel e 0,80 enxames...
Como já se previa a colheita em tempo "de fome", é mais trabalhosa... carece de intervenções mais eficientes e curtas para evitar pilhagens. Na operação de centrifugação, tive a ajuda dos meus dois filhos mais novos que se portaram lindamente e deram prestimosa ajuda!
As alças já foram colocadas a limpar e é uma trabalheira toda esta operação de pesos pesados para mim e para o pai, 2 pessoas... contudo, mesmo sabendo da enorme empresa, não conseguimos deixar de aumentar o número de colmeias!... Se temos um ano bom pela frente diremos seguramente estar cheios de azar!...
As colmeias de um modo geral estão boas, algumas delas muito boas para a época, com muita população e ainda com grandes níveis de postura 4 a 6 quadros, consequência do ano humido, que vai correndo.
Terminada a cresta e a maioria das operações inerentes vou mesmo de férias, saír daqui, já amanhã! Depois de uma semana de férias menos conseguida, zumbindo em torno do Neptuno e do incêndio na Biosafe e outras pequenas coisinhas...

quarta-feira, 11 de julho de 2007

As Experiências do Pai

fora da época...

O pai frequentou no último mês formação em apicultura que o tem deixado eufórico. Inventa experimenta, faz e desfaz sem medos e receios de errar... como um jovem que quer descobrir sem ter que esperar a melhor altura!
Na última semana de Junho instalou 3 capta polén, na pior época para o fazer, é bem verdade, mas valeu pela experiência que nos deixou surpreendidos com a colheita: 600gr em 3 dias nas três colmeias!... Foi congelado e todos cá em casa comem polén!... Esta produção para consumo caseiro, vai pegar!... distribuiu pranchas colectoras de própolis e anda entusiasmadíssimo a fazer mestras, transvases de larvas, nucleos de fecundação... ... ... hoje apresentou-me uns quadros porta mestreiros que fez... ... ... é isso!... não para!...
Pena que esta vontade sem medos ocorra na pior época!
Mas como ele diz para se absolver de todos os erros: não somos produtores de mel, nem de abelhas nem de coisa nenhuma... somos amadores que gostamos de brincar com as abelhas...
Eu também o absolvo e admiro a sua segunda juventude!

Já é Tarde

para a cresta...

tenho vindo a adiar a colheita de mel por falta de disponibilidade e já começa a ficar tarde...
Em resposta ao Adelino
A colheita teoricamente pode ser feita sempre que o mel estiver curado - operculado. Já fiz colheitas em Fevereiro e Março por falta de material, ou para colher puro mel de eucalipto, (no caso) ou em Agosto e Setembro por falta de tempo... mas é desejável que a colheita seja feita em época quente e imediatamente antes da grande redução de abelhas ou da fome. Na Beira Litoral que melhor conheço, podemos estar a falar de Junho ou Julho, conforme os anos...
Em época quente o mel está mais quente e a operação de centrifugação, filtragem e decantação é muito mais facilitada. A redução de abelhas que ocorre pós melada, favorece a retirada das alças, contudo se entramos na época de fome, (falta de nectares) a operação de retirada das alças tem que ser cuidada e muito eficaz para evitar pilhagens. Os mesmos cuidados deverão ser tomados quando se distribuem as alças ao fim da tarde para limpeza para que não se instale a "febre" da pilhagem.
Em época fria só é possível eficazmente centrifugar filtrar e decantar se o ambiente da sala de extracção for aquecido o que é o mesmo que dizer se o mel for aquecido acima dos 18º.
Do ponto de vista da colónia, a sua dimensão deve ser proporcional ao número de abelhas... não é desejável que as alças sejam praticamente abandonadas pelas abelhas. E o apicultor deve ter a sua intervençaõ facilitada em época de fome, quero dizer sem alças, para mais eficazmente acompanhar as necessidades da colmeia.
Este ano, a partir de Julho, entrei na época de fome... estou a queimar o risco!

domingo, 24 de junho de 2007

Pelo S. João

há ainda muitas colmeias a pedir uma mão...


a falta de tempo e de programação do maneio, associadas à instabilidade meteorológica tem-se traduzido em aleatórias visitas e sobretudo atrasos no maneio, de forma que parece que em todos os apiários, as colmeias se encontram entregues a elas próprias. São as colmeias macheadas que este ano são em maior número, são as experiências do pai, o mel que ainda falta tirar, alguns desdobramentos feitos tardiamente e outros que falta fazer... os tratamentos que nunca mais se fazem, (aguardam a tiragem do mel)... enfim sinto-me perdido também pelo elevado número de colmeias que a memória já não fixa nem os apontamentos se actualizam...
Sexta 22 foi o único dia em que as abri: ao final da tarde sózinho e com algum vento, desdobrei uma colmeia em Enxemil, sobrepus um ninho que anda por lá sem estrado... e quando cheguei a Cabedelo, tive que arrumar uma distracção do pai, reforcei o núcleo retirado da arrecadação de madeira com um quadro com pólen e nectar e dei uma olhada rápida a outras duas que se encontram macheadas... assim matei o vício.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Final da Primavera

com muito vento e aguaceiros...


Os dias de segunda-feira são sempre terríveis!... Hoje ao final do dia retemperei-me numa visita rápida a Enxemil e Cabedelo... O vento era intenso mas nem por isso deixei de me animar com o trabalho de final de tarde... Cabedelo anima-me cada vez mais embora ainda resista algum stress em algumas colmeias...
Hoje foi também dia de visita do meu amigo Glória... e também me cruzei com o Gonçalves... Os profetas da desgraça!...

domingo, 17 de junho de 2007

Um ano em cheio

para o apicultor!

Este ano apícola, (desde que se inicia a colheita até á cresta), foi um ano em cheio nas lides apícolas!... O apicultor teve um prolongado ano, com variações das condições meteorológicas e de disponibilidade de abelhas e floração que lhe permitiram andar sempre a bolir por quase dez meses!...
Desde muito cedo, meados de Setembro até meados de Junho...
Ainda hoje me dizia o pai querer desdobrar umas tantas colmeias estes dias... depois de eu ter chegado a Mata e me ter deparado com os desdobramentos tardios que ele sozinho e sem pré-aviso lá vai fazendo!...
Do ponto de vista do amadorismo, do prazer e felicidade que lhe dará entreter-se com as suas experiências, tenho que estar de acordo e sentir até alegria por o ver com iniciativa e vontade de correr riscos!...
Esqueço-me do planeamento e até da falta de rigor no maneio... para não ficar zangado e saboreio a alegria das suas "aventuras"...
Hoje quando cheguei à Mata dei conta à distância que uma colmeia estava no chão... ao vento e á chuva; sem me aproximar, comecei a equipar-me para poder intervir e logo chegou o pai que incrédulo se dirigiu rapidamente à colmeia para a compor... Era uma colmeia tripartida onde ele ensaiava a fecundação de três mestras... É preciso ter azar, dizia, logo hoje que elas íam nascer!...
Lá me disse a data e procurei com ele fazer as contas e descansa-lo... já nasceram ontem!

Junho chuvoso e ventoso...

mau ou bom preçágio!?...
Já não me lembro de tanta chuva na época quente...
Esta última semana e ontem foi de um verdadeiro inverno!
Foi portanto uma semana de pouco trabalho para as abelhas mas será uma esperança próxima porque permitirá o prolongamento das florações presentes. Nesta minha curta história recente de apicultura, este é o 4.º verão e talvez o melhor em disponibilidade de variedade floral...
Contudo fica-me uma grande dúvida!... De que forma será induzida a floração do eucalipto para a próxima época se o tempo continuar assim ameno, sem grandes amplitudes térmicas?!... Para já parece-me estar atrasado!... O que me dá razão, poderemos ter então um tardio ano de eucalipto e de pouca floração o que é o mesmo que dizer ano tardio e de pouco mel...
Ano em que previsivelmente no litoral sentiremos o inverno como inverno e não como colheita pelo que se deverá ter em conta os cuidados necessários na disponibilidade de reservas...
Esta minha mania de ser profeta!...

domingo, 10 de junho de 2007

Junho

Começa com surpresas...
A falta de tempo nesta época do ano impedem-me de registar com detalhe e no tempo muitos acontecimentos importantes para compreender este final de ano apícola!...
As frequentes chuvas no mês de Maio permitiram a prolongada floração nos prados e nos matos... A flora na zona da mata é particularmente rica e diversa e as colmeias têm trabalhado bem, com grande movimento de polén e colheita de alguns néctares.
Em Enxemil e no Cabedelo ainda se prolonga a floração da queiró, sendo que no Cabedelo ela se apresenta mais atrasada, prevendo-se que se prolongue até final de Junho. Contudo parece-me que a floração em Cabedelo é menos diversificada e as colmeias trabalham menos... embora algumas delas lá vão puchando cêra nova e enchendo de mel as alças!...
Na última semana de Maio, arrumei com três colmeias macheadas em Cabedelo, sacudindo-as simplesmente, num final de tarde.
Na primeira semana de Junho, com o aumento de temperatura registou-se a saída de enxames. Um, bem comportado entrou numa colmeia na Mata. Outro, chamaram-me para o desalojar do forro de uma arrecadação, no Areínho... eram enxames pequenos... de final de época... que foram acomodados em núcleos...
Na primeira semana de Junho o pai, sozinho, tomou diversas iniciativas que me espantaram e merecem registo mais pela iniciativa do que pela importância: dividiu uma colmeia, e distribuiu alças novas por todas as colmeias novas que estavam só com o ninho em Cabedelo... ele gosta de experimentar e de inventar também...
Em Cabedelo ainda não acabou por completo aquela estupida mania que as leva a atacarem-se às próprias que eu designei de "stress de mudança" e se assemelha à doença das negrinhas... É presentemente motivo de preocupação... ver aquelas desgraçadas perderem tempo e abelhas a morderem-se mutuamente quando deviam estar a trabalhar...
Mas preocupa-me também a necessidade de pôr em dia o livro de registo das colmeias, é que com as mudanças para o Cabedelo e os sucessivos desdobramentos e divisões, perdi um pouco o fio à meada...

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Visita de rotina confirma

a rotina dos erros...
Ao final da tarde encontrei-me com o pai em Cabedelo para fazer uma visita rápida ao 21.º dia depois da mudança das primeiras colmeias. A avaliação da mortandade, um dos enxames mais pequenos, uma colmeia que ainda não tinha a mestra a pôr, as colmeias mais fracas a quem deramos alimentação estimulante...
1. A mortandade hoje foi insignificante, a menos de duas colmeias, o que é uma boa notícia;
2. O pequeno enxame num núcleo, tinha três excelentes quadros de criação, contudo apresentava sintomas de aescoferose... provavelmente contágio do quadro velho de cêra que servia de chamariz ou proveniência da colmeia mãe, raio!...tem que se acompanhar com alimentação;
3. A colmeia sem mestra estará provavelmente macheada, vou-lhe dar mais uma semana, continuando a acompanhar com alimentação;
4. Quatro colmeias das mais fracas, todas com mestras velhas, revelaram uma situação que já não é nova... praticamente deixaram de pôr, tendo duas delas mestreiros! Efectivamente quando as colmeias de mestras velhas chegam próximo do final da época, são as primeiras a diminuir a postura e podem mesmo deixar de pôr por completo... assim como podem promover a sua renovação natural - penso que é o que se está a passar com aquelas, a julgar pelo baixo nível de postura e pela inserção dos mestreiros nas orlas dos quadros...
Na hora, digerido o problema, propus ao pai que logo ali se procedesse à chacina de mestras velhas para promovermos a sua renovação... mas, faltou-nos a coragem!...
Esta é a situação mais que corrente que resulta do hábito de desdobrar colmeias ou dividir colmeias sem promover a substituição da mestra velha... É provavelmente a situação mais cómoda mas que não pode ser continuada numa apicultura racional para quem tem cerca de cem colmeias... O tempo parece ser cada vez mais reduzido, bem sei, mas desbobrar ou simplesmente dividir... não é estratégia de renovação de mestras a menos que queiramos dum dia para o outro ver o nosso colmeal reduzido a metade ou com metade das colmeias a produzir muito pouco!...
Provavelmente ainda não será este ano que farei produção massiva de mestras!... Ou que me iniciarei na chacina de mestras... é a rotina dos erros!

domingo, 20 de maio de 2007

Ainda a Mudança

de Enxemil...
Já reduzi ao número de colmeias em Enxemil em cerca de uma dezena... mas atendendo que algumas foram enxames que apanhei, (2) e desdobramentos (talvez 8), o efectivo praticamente mantém-se inalterado...
Só será possível uma mudança efectiva com a tiragem do mel que tenho adiado para Junho mas uma vez por outra, não consigo resistir em desdobrar mais umas colmeias, desmontando aqueles arranhacéus de alças à procura da mestra para desdobramentos a duas colmeias... duas mais uma - a nova que é criada.
Assim foi na passada sexta-feira, ao final da tarde com a ajuda do pai, começando por retirar algumas alças cheias de mel das colmeias que vão ser intervencionadas que ajudam a aumentar ainda mais os arranhacéus e lá foram mais duas colmeias, (com uma alça cada) para Cabedelo, onde já se contam 39!... Em Enxemil, mantêm-se as 22, embora haja condições para tirar mais quatro ou seis!...
As colmeias desdobradas, tinham já mestra deste ano, por renovação natural, sem ocorrência de enxameação, creio, (embora tenha dúvidas num dos casos) e é de realçar os magníficos quadros de criação... simplesmente fantásticos... com criação operculada de madeira a madeira, (do quadro) parecem quadros de madeira!... sem um alvéolo sequer a interromper a criação!...
É bem certo que a urze queiró se manterá por pouco mais de três semanas, estando já na sua fase decrescente, mas que me perdoem as colmeias de Enxemil... estão condenadas na sua maioria a ser desdobradas mesmo antes de tirar o mel pois mete-me pena ver que aqueles arranhacéus super-povoados que em breve ficarão sem trabalho por falta de néctares...

Dia de Limpeza sem Stress,

mas pode haver outros "stress" em Cabedelo...

Dito e feito!
Hoje levantei-me cedinho e foi para cabedelo munido de ferramenta de sapador florestal... o movimento das abelhas era reduzidíssimo devido ao tempo que estava frio e encoberto, um aleado para as tarefas de limpeza e cortes mais próximos das colmeias...
Juntei sobrantes dos cortes florestais, limpei carumas e cortei muitas urzes e tojo...
Não poderei dizer que estão muito mais protegidas contra incêndios pois ainda há muito que limpar... mas um bocadinho mais protegidas e com as frentes das entradas desprovidas de vegetação e carumas para melhor avaliar a evolução das mortes...
Quanto às mortes, da minha reflexão de hoje, questionei-me se não estarão relacionadas com um estado geral de stress que atinja as colmeias após a mudança que tem como uma das manifestações possíveis a desorientação generalizada das abelhas, as guerrinhas ou até o acelerado desenvolvimento de outras doenças... Stress pós mudança! Nunca li nada do género sobre o assunto nem quero inventar mais uma doença... ainda estou a observar... e é de referir que entre as abelhas mortas se contam muitos machos o que não é de admirar pois é fruta da época... fim de melada.
Mas o termo stress que está tão na moda para justificar reacções anómalas do foro clínico, penso ser aplicável a outras situações que descrevi em Outubro e Novembro, quando no início da explosão de néctares, as abelhas se guerreavam mutuamente, quase em todas as colmeias, conduzindo à morte de algumas dezenas de abelhas por colmeia... Tal comportamento passageiro para o qual não tive justificação convincente, pode ser justificado por reacção de stress a uma situação de "mudança" no colmeal, neste caso um aumento explosivo de néctares!

Não há bela sem...

senão!...

Tenho descrito o Cabedelo como o local ideal para a instalação do apiário, contudo nos últimos dias tenho registado três preocupações:
- a falta de limpeza dos matos dos pinhais vizinhos, com elevada vulnerabilidade aos incêndios;
- o vento que, pela presente falta de árvores é bem sentido no local;
- e... o mais preocupante, o registo de mortes de abelhas em quantidade significativa.
Em especial o último registo, deixa-me apreensivo e preocupado. Inicialmente associei como causa próxima a mudança de colmeias, alguma desorientação com ocorrência de chuvas e ventos fortes... contudo o n.º de mortes continua a registar-se, verificando que algumas ficam mortas na tábua de voo, como que contorcendo-se de dores, como que envenenadas... verifico também a ocorrência de guerrinhas que não existiam, lembrando-me a doença das "negrinhas", mas com reduzida expressão... algumas tábuas de voo aparecerem excessivamente defecadas, mas nem todas... quando as mortes ocorrem em quase todas elas!...
- Poderão as mortes estar associadas a flora local que ainda não descobri?!... Mas a flora é muito próxima da que ocorre em Enxemil, a 4 Km de distância e lá não morrem!...
- Poderão as mortes estar associadas aos terrenos alagadiços de águas salobras que existem nas proximidades?!... Mas em Enxemil também há terrenos com as mesmas característica, talvez não tão próximos... e lá não morrem!... Envenenamentos?!... Quais?!...
- Poderão estar associadas às guerrinhas que até há mudança não ocorriam?!...
- Porquê as guerrinhas?!... Por desorientação ou doença?!... Doença colectiva que só se passou a registar após a mudança?!...
Duas medidas se impõem de imediato:
- Não mudar nem mais uma colmeia até concluir diagnóstico ou estabilização da mortandade!
- Limpar de imediato o solo à frente das colmeias de qualquer vegetação para poder acompanhar diariamente a evolução do nível de mortes.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Um marco assinalável!...

15 de Maio...

foi a data que escrevi no cheque, na troca de contrato promessa compra e venda e que serviu de sinal à compra do terreno onde estou a instalar o apiário de Cabedelo. Não escondendo alguma satisfação, questiono-me como foi possível ter decidido a compra de terreno para instalar um apiário?!...
- Estabilidade... pese a existência de outras pequenas razões, estabilidade é a resposta. Na Mata, estou à espera que a todo o momento me convidem a retirar as colmeias para a construção de empreendimento imobiliário; em Enxemil, temo que alguém das poucas casas existentes nas proximidades, seja picado...
Continuo contudo subordinado:
- à boa disposição dos vizinhos dos terrenos contíguos... que a julgar pelo abandono das propriedades, poucas vezes se cruzarão com as minhas abelhas...
- a actos de vandalismo dos poucos que por lá passam
- e ao roubo...
Mas estes condicionalismos já os tinha implícitos num qualquer dos outros locais... existentes ou imaginários!

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Delicio-me...

com o final da colheita...

Ao final da tarde o pai ligou-me a marcar encontro num dos apiários, como que duma obrigação se tratasse, tentando o guloso desinquietar o desejoso... Combinamos encontrarmo-nos em Enxemil, para vermos as últimas evoluções... acordando que não haveria grandes mexidas porque estava sem tempo, era tarde e fazia vento...

Quando chegamos ainda podemos constatar grandes movimentos... e depois da avaliação comentada que quase todos os dias fazemos ao constatar o movimento de cada uma das colmeias...
Há colmeias que tiveram um decréscimo de população: porque as desdobramos, porque renovaram as mestras... ou porque enxamearam... e acredito que alguns enxames não os apanhamos por má localização dos núcleos caça enxames... Enfim tudo ocorreu no final da época e não terá tido consequências na produção...

Decidimos então, dar uma espreitadela às últimas alças para matar o vício... comprovou-se a significativa colheita de urze... cerca de uma alça por colmeia, algumas atingirão provavelmente as duas... magnífico!

O pai, perante as que mais evoluíram no último mês, desabafou a sua satisfação: - independentemente de qualquer produção, isto é que dá gosto!

De seguida demos um salto ao Cabedelo para continuarmo-nos a deliciar... Algumas alças que distribuímos a semana passada já estavam a ser ocupadas!...


terça-feira, 8 de maio de 2007

Continuar um diário...

reflexões de uma paixão!...

Este meu livro de reflexões avulsas e registos da minha vida apicola, iniciada no passado mês de Outubro no blog do Sapo, têm agora que ser continuados noutro endereço...
Podiam simplesmente terminar, mas é-me necessário:
1- pelo registo em forma de diário, para quem a memória já começa a faltar;
2- pelo registo das dúvidas e descobertas nesta minha actividade apaixonante;
3- pelo desafio e provocação à participação de outros apicultores tão fechados em si;
4- pelas reflexões e pelo desabafo;
5- para simplesmente, me ouvir e lêr numa exibição narcisista ...
Razões mais que suficientes, decido continuar...