sábado, 30 de julho de 2016

É este ano que fico rico.


O ano começou prometendo grandes colheitas.
Temperaturas amenas até final de Dezembro permitiram um bom desenvolvimento das colmeias, ocorrência dos primeiros enxames em Novembro e Dezembro que rapidamente encheram as primeiras alças de mel.

Contudo os apiários revelaram as suas naturais diferenças.
Sendo de realçar o excesso de sombra, humidade, da Mata não lhe permitir o desenvolvimento que a envolvente de velhos eucaliptos desmontados de flor potencia.
Em S. Vicente por oposição, a exposição soalheira permite a dianteira no seu desenvolvimento. Em início de Dezembro comecei a retirar alças de S. Vicente e a distribui-las pelos do Sargaçal e Cabedelo, tal era a altura das colmeias!...

Pelo Natal já tinha distribuído todas as alças e já fazia contas às prendas bem merecidas, já que nos dois anos anteriores as colheitas foram fracas...

Em início de Janeiro dizia: as contas são simples... finalmente iria ficar rico, bastaria um ano normalzinho dali para a frente... ambicionava!...
A realidade veio provar como me enganara tão desastrosamente...


Um ano que não vou esquecer


Tenho-me recusado a alimentar este livro de histórias.
Muitas vezes justifico-me dizendo que está tudo dito e não fica bem repetir-me...
mas sobretudo evito transmitir a ansiedade, alguma frustração e desgosto que me acompanham nas minhas lides apícolas!...

A necessidade de contrariar o sono arrancou-me da malandrice e atirou-me para a escrita, para um registo mínimo do ano apícola. Aceito!
E tenho logo dificuldade em seleccionar um tema num ano tão vasto de novidades.

É este ano que fico rico.
Talvez o ano mais chuvoso.
A doença e a morte.
A debandada das abelhas.
Toalha ao chão?!... Quase!
Na primavera a alimentar a serra.
A fuga traz a fome.
Tão próximas e tão diferentes.

Estes são alguns temas que me ocorre abordar  de seguida para caracterizar um ano tão anormal que só por isso será sempre lembrado.



domingo, 7 de junho de 2015

Maio levou-me a fé



E o pouco que havia!




Este Maio quase me esqueci delas, foi de todos provavelmente aquele em que menos lhes mexi.
O mês foi quente, seco e muito ventoso... todos os dias foram de vento especialmente intenso ao final da tarde, de tal modo que não era confortável abrir uma colmeia.
A falta de condições e outras solicitações fizeram-me deixa-las para segundo plano, para melhor altura, sabendo eu de antemão que não haveria melhorias possíveis!...


Elas trabalharam pouco sobretudo pela frescura da manhã.  Dum modo geral o mês começou embalado pelo Abril húmido, com explosão de criação, mas a impossibilidade de colheita levou à delapidação de recursos e á ocorrência de enxameação.

O vento levou os néctares e o mel e o calor alguns enxames...

A abundância do fim de Março e a esperança de podermos ter um ano normalzinho, foi apagada em Abril e a fé  numa colheita, foi-se em Maio.
A continuar assim, Junho poderá ser catastrófico ou de muito trabalho.


Ontem, enchi-me de coragem e passei o dia a retirar material e algum mel.
Não fosse ter que descer aos ninhos e trata-las, nem perderia o tempo a tirar-lhes o mel. 
Se me queixava dos últimos dois anos aqui no litoral, faltam-me as palavras para este!






terça-feira, 28 de abril de 2015

A chuva não pára

Também na serra... 

A instabilidade  atmosférica persiste e  nem a serra me levanta os ânimos!
Ainda sem os aromas habituais junto ao apiário, no sábado passei em revista a tímida subida à primeira alça e rocei uns matos por forma a preparar poisos para  a instalação de mais umas colmeias.... que levarei ainda esta semana. 

A colheita previsivelmente  já não será relevante mas dará gosto acompanhar um outro desenvolvimento das colmeias bem diferente do litoral.


Salada de frutos

Framboesas  mirtilos e kiwis

Ontem levei algumas colmeias  do litoral a uma pequena exploração de frutos vermelhos... aqui próximo.  É a minha primeira vez e estou expectante...

Presumo que as grandes beneficiárias serão as framboesas, pela acessibilidade dos orgãos florais, mas a proximidade de um pomar vizinho de kiwis fará a grande concorrência nas próximas semanas e poderá estragar-me as contas das colmeias necessárias.

Com tanta fruta seguramente que elas se consolarão!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Mais uma paragem

Talvez a definitiva

Faz duas semanas que a instabilidade climatérica se reinstalou, pouco sol, alguma chuva, vento e ás vezes frio durante a noite!
Ausência de néctares! Consequentemente a paragem de postura! Tudo parou a seguir à Páscoa!...
Provavelmente consuma-se o final da época aqui pelo litoral!

Tivera eu tempo e carregaria esta coisa toda daqui para fora... para onde as pudesse pôr a mexer..
Mas em boa verdade a minha serra não estará melhor, porque o sol também  lá  falta.
O passado domingo foi também reforçar as da serra baixa e a coisa lá ainda está  no início mas parece-me ser muito pouca a flor do eucalipto.

Nunca como este ano mexi tão pouco nas abelhas do litoral, não iniciei ainda a produção de mestras nem sei prever a produção para o corrente ano! Até a vontade me falta.



quarta-feira, 15 de abril de 2015

A serra por devoção

E alguma obrigação


Este fim de semana, 11, 12 e 13, foram dias de ir à serra levar colmeias.
Estivera lá no Sábado da Páscoa e a urze mais exposta já estava muito adiantada, era a minha derradeira oportunidade... 
Nada estava preparado para ser transportado, programei ser tarefa para a semana...
Mas a semana foi também marcada pela perda anunciada do  tio que mais me adorou...

Pedi a carrinha emprestada que me fez mover... Faltou-me o preparo e tudo teve que ser feito de sábado a segunda! Ora sozinho ora com o pai, tudo pareceu ser mais doloroso para ambos.
No meu íntimo pensei várias vezes ser provavelmente o último ano!
Mas por este ainda falta a serra baixa que será esta semana e talvez as framboesas...