segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Fim de semana de trabalho




e de balanços.
 
O fim de semana já não chega para dar a volta aos apiários, mas por onde passei gostei!
As diferenças entre apiários começam também a fazer-se sentir... É sempre assim, são tantos os fatores que influenciam o desenvolvimento das colmeias que só o maneio do apicultor não é o suficiente para corrigir as diferenças. 
É a proximidade das florações, a exposição solar e as condições climatéricas locais, o que está dentro de cada colmeia, o seu estado sanitário e a robustez com que chegam ao início da florada que influenciam e marcam as diferenças de desenvolvimento de cada apiário.
 
Embora com carateristicas diferentes,  a contar pelo número de alças distribuidas este fim de semana, o Portovedo e o Sargaçal serão os mais, seguidos do Cabedelo, Mata e do Pope.
No início de Outubro a generalidade das colmeias estavam muito debilitadas e  a sua expansão tem sido notória, tendo os melhores apiários uma média superior a duas alças por colmeia.
Na Mata onde estavam a maioria dos núcleos do final da época, estão agora a receber a primeira alça.
No Pope onde estão a maioria das que vieram da serra, nota-se um atraso na prevista explosão consequência do encravamento dos ninhos, onde o maneio não foi o suficiente ou ainda não chegou.
 
O ano mantém o seu atraso relativamente ao que passou, contudo já se registaram na região várias ocorrências de enxames que confirmam os magníficos dias de colheita de néctares.
 
Quanto aos próximos meses, mantenho-me expectante, face à aparente reduzida quantidade de botões de eucalipto disponíveis por árvore ainda por florir.
 
 
 
 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A necessidade faz...

o apicultor!

O significativo aumento do efetivo dos meus apiários pôs-me à prova em meados de Novembro, ainda com alguns dias amenos e de boas colheitas, quando foi necessário distribuir as primeiras alças... Quando foi necessário distribuir muitas alças porque os apiários estavam muito similares.
 
Enchia a carrinha de alças à noite e no dia seguinte só ao final da tarde, já escura, conseguia chegar aos apiários para distribuir as alças. Colocava a lanterna de leds que  há meses depois de muito regatear com o marroquino acabei por comprar para poder pescar à noite, colocara o fumigador de lado e concentrava-me na distribuição das alças a eito, em velocidade cruzeiro.
 
Rapidamente me apercebi que a reação das abelhas era passificadora, não voavam, só batiam asas, caminhavam, não se projetavam sobre a luz dos leds nem me procuravam picar as que  subiam nas mãos. Tinha só que ser lesto quando me detinha em algumas operações de verificação para não se acumularem  muitas  abelhas  nas bordas das paredes e não ter que as matar ao fechar a  colmeia...
Depois, coloquei  as luvas de lado, e a máscara... e já não quero outra coisa para as inspeccionar rapidamente quanto à  avaliação da sua necessidade de espaço.
 
Agora é ver-me sem qualquer proteção, de lanterna de leds na testa e raspador na mão, noite dentro pelas matas onde se distribuem os meus apiários, a abrir colmeias, levantando um quadro aqui ou ali e tirando apontamentos sobre o seu estado de desenvolvimento!
 
Consegui assim baixar a ansiedade porque tornei os dias mais longos e passei a acompanhar melhor as minhas numerosas colmeias num maneio de proximidade. 
 
Definitivamente, agora é que a vizinhança me vai chamar louco e provavelmente a mulher me colocará a mala à porta!
 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Hoje toureei-as...

Na Mata da Bicha!
 
Em duas curtas horas a seguir ao almoço abri os mais de 50 enxames da Mata maioritariamente ainda em núcleos, passando-os para ninhos ou reordenando e  distribuindo quadros de cera nova, limpando favos já a ser puxados nos espaços dos quadros em falta, (alguns já com criação), adicionando algumas alças nos ninhos mais desenvolvidos... foi uma tarde de correria, de sol e de intenso prazer.
 
As colmeias estão em franca expansão, com magníficos quadros de criação e conceder-lhes espaço para a mestra se desfazer em ovos, é prioritário. Os quadros de cera estampada são colocados pelo exterior ao de criação mais exterior, seguindo-se-lhe o quadro de polén, podendo as caixas ser completadas com outros, função da quantidade de abelhas disponível. Não lhes vai faltar espaço nos próximos dias que também serão de chuva segundo as previsões.
 
Nesta altura do ano não lhes posso mexer ao final da tarde depois do trabalho e as oportunidades de maneio resumem-se aos dias de férias ou, se não chover, aos fins de semana que já são muito curtos...
Hoje a Mata ficou resolvida por uns dias,  a ansiedade cresce porque me falta fazer o mesmo em outros cinco apiários... Quando cheguei a casa, descarreguei o carro dos núcleos para armazém que não couberam no carrro do pai e voltei a enche-lo de ninhos e alças para distribuir pela manhã ou pela hora do almoço...

Não lhes dou parança!

 

domingo, 4 de novembro de 2012

O novo ano com chuva

voa a todo o gás

As duas últimas semanas com chuva e algum frio mas com o eucalipto em floração em expressivas manchas, foram de intenso trabalho, e marcam o início do desenvolvimento das colmeias. Não há enxame, por mais fraco que esteja que não transborde de abelhas no seu incessante trabalho de colheita de néctares e polens.
 
Os apiários estão muito equilibrados, embora as do Portovedo sejam as mais desenvolvidas onde já a semana passada distribui alças. Na Mata da Bicha, agora relocalizada, onde em regra se registam os melhores arranques, é encantador ver a recuperação dos pequenos enxames que daqui a dias estarão a necessitar de disponibilidade de espaço...
 
A gripe tem-me perseguido esta última semana, reduzi a minha intervenção ao mínimo, mas nem por isso deixei de instalar mais um apiário, o do Pope, com algumas colmeias vindas da Mata e outras tantas vindas da Serra. O local é magnífico!
 
Hoje, ainda com a garganta a doer e calores febris, pelo meio das gotas de chuva, passei alguns núcleos para ninhos, concedendo-lhes o espaço necessário ao seu desenvolvimento e deliciando-me com alguns quadros de criação. Ao final da tarde passei por casa do pai onde ele preparava alguns quadros de ninho com cera moldada para serem distribuidos nos próximos dias e convenci-o a darmos um salto à serra onde carreguei a carrinha de colmeias para as trazer para o eucalipto.
 
As colmeias na serra estão cheias e só depois de carregada a carrinha me apercebi que ía ser difícil subir as picadas em terra batida enlameadas por tanta chuva que caíra durante o dia!... Bastou-me chegar ao início da terceira subida, para após várias tentativas concluir que com toda a carga não iria conseguir passar... Descarreguei ali, no largo onde se reunem os javalis, um quarto da carga, foi até à estrada de asfalto descarregar outro quarto, regressei e voltei na escuridão da noite envolvida por nuvens a suster a chuva, concluindo a carga, com destino ao Pope.
 
 
 

sábado, 20 de outubro de 2012

Aparentemente zangado

mas de volta!...

Abandonei por uns meses o registo das minhas peripécias apicolas, provavelmente pela intensidade com que elas se sucederam, porque pareço repetir o previsivel  ou talvez por cansaço.
 
Terminado mais um ano apicola, em tom de balanço terei que registar que foi o meu ano mais intenso, de maior produção absoluta, maior diversificação e experimentalismo...
Foi um ano fantástico!
 
O ano que agora começa a mexer vai despontando as primeiras flores de eucalipto mas com mais frio do que o habitual para esta época do ano, estará cerca de um mês mais atrasado que o ano que passou.
As colmeias estão com poucas abelhas e as reservas mantém-se escassas desde julho, resistindo à custa de alguma alimentação e uns néctares de setembro, nomeadamente os da caluna vulgaris.
 
Hoje foi à serra para  retirar as alças às colmeias para em breve iniciar o seu transporte para o litoral, já lá não ía há três semanas e vi a minha tarefa dificultada porque encontrei metade das colmeias com as alças cheias de mel... mel de caluna!
Tenho agora a carrinha cheia de alças que amanhã me servirão para alimentar as colmeias do litoral, pois está fora de questão tentar a extração deste magnífico mel. A serra este ano, foi generosa  e demonstrou a complementaridade  com os  apiários do litoral.

domingo, 3 de junho de 2012

A chuva

e a explosão!...

A chuva prolongada do mês de Abril teve um efeito explosivo na natureza, no desenvolvimento das plantas e das flores, potenciando a produção de néctares... resultando a explosão nas colmeias!

Em todos os apiários do litoral, uns mais que outros, iniciou-se uma nova primavera, as mestras voltaram a encher as colmeias de criação, a enxameação foi quase generalizada  e um verdadeiro espetáculo instalou-se!
As tarefas nos apiários não resistem aos nossos planos e programações e abrir uma colmeia transforma-se num risco!...
Nem os fortes ataques de varrôa me poderam ajudar a travar a onda explosiva...

Na serra foi uma desgraça... cheguei atrasado com as alças pelo menos uma semana, porque a chuva não me deixara tirar o mel, para ter as alças disponíveis do litoral. Quando cheguei, numa tarde quente e húmida as colmeias barbavam assustadoramente e já não havia muito a fazer...
Ainda não conhecia um ano verdadeiramente explosivo na serra... está a ser incrível!

Instalou-se o caos e a programação teve de ser alterada e os trabalhos passaram a ser bravos!...

Um dia ainda me zango com elas!


sábado, 2 de junho de 2012

Zangado com elas

depois de tanta desgraça!...

Já sabemos que todos os anos são diferentes, mas este superou!...
Estragou-me sistematicamente as contas... todas, as otimistas e as mais péssimistas, e ainda me enganam!...

Tenho tido dificuldades de ser rigoroso em descrever estes dois últimos épicos meses de apicultura...

Foram jornadas muito cansativas e cheias, sem tempo para a escrita... 
Foram provavelmente únicas, mais controladas pela natureza do que pelos maneios do apicultor!